quinta-feira, 2 de julho de 2009

As criancinhas explicadas a José Sócrates


As semelhanças entre Sócrates e Obama são cada vez maiores: Obama matou uma mosca durante uma entrevista; Sócrates deu uma entrevista em que parecia uma mosca morta.

O leitor habitual desta coluna, acostumado aos prodígios estilísticos do autor, já percebeu que, uma vez mais, há malandrice no título - e é da sofisticada. Reparou certamente que se trata da inversão da vulgar fórmula "X explicado às criancinhas" em que, no lugar do X, costuma estar um conceito complicado. Aqui, em lugar de explicar o complexo aos simples, pretende-se explicar os simples ao complexo. Isto supondo que Sócrates é complexo, o que infelizmente não se verifica: é, aliás, por isso que sinto necessidade de lhe explicar como funcionam as coisas simples. Será interessante constatar, no entanto, que Sócrates, não sendo complexo, possui vários complexos. O mais proeminente é, neste momento, o complexo de inferioridade provocado pelos resultados das eleições europeias. O primeiro-ministro sabe que, por culpa própria, parte em desvantagem para as legislativas, e portanto resolveu seguir a estratégia pueril das crianças mal comportadas na véspera de Natal: adoptam a postura suave e sonsa de quem nunca fez traquinices, comem a sopa até ao fim e prometem dotar mais generosamente o orçamento da cultura. A grande maioria dos miúdos, não por acaso, esquece este último ponto: o objectivo do estratagema é agradar, e se há coisa de que as pessoas não gostam é de quem promete dar dinheiro aos artistas. Não devemos esquecer que, em português, a palavra "artista" é polissémica a ponto de permitir designar tanto a Paula Rego como os automobilistas que fazem idiotices no trânsito, sendo que é usada muito mais vezes para caracterizar os segundos do que a primeira.
É incompreensível, portanto, que Sócrates anuncie medidas impopulares tão próximo das eleições. E a atitude mansa e benevolente, além de soar a falso, revela pouco sentido de estado: não me lembro de alguma vez termos tido um primeiro-ministro bonzinho (e sublinho também a polissemia da palavra "bonzinho"). Por outro lado, o novo comportamento do primeiro-ministro aproxima-o dos grandes estadistas. As semelhanças entre Sócrates e Obama são cada vez maiores: Obama matou uma mosca durante uma entrevista; Sócrates deu uma entrevista em que parecia uma mosca morta. Não sei se o leitor viu as imagens: incomodado por uma mosca enquanto falava com um jornalista, Obama esperou que o bicho pousasse e matou-o. Em situação idêntica, o Sócrates dos bons velhos tempos também matava a mosca. E o jornalista. Agora, na impossibilidade de entrar a matar, o primeiro-ministro mortifica-se. Vendo bem, Sócrates não mudou muito: dantes, amesquinhava os outros; agora, reverte o amesquinhamento para si próprio. No fundo, não deixou de amesquinhar. Como é evidente, prefiro o Sócrates original e autêntico: não me importo nada quando amesquinha jornalistas e adversários, mas levo a mal que amesquinhe o primeiro-ministro do meu país. Acho uma indignidade. Sobretudo porque me deixa sem nada para fazer.

Fonte: Visão - RAP - Quinta-feira, 25 de Jun de 2009

Portugal - Confirmados 23 casos de Gripe A


Ministério da Saúde anunciou hoje, ao início da tarde, mais três casos confirmados de gripe A (H1N1), elevando para 23 o número de situações confirmadas.

"Dos casos em investigação laboratorial, três deles obtiveram resultados positivos para o vírus da Gripe A (H1N1)", refere a nota do Ministério da Saúde disponível no site do Portal da Saúde.
Um dos casos é uma mulher de 54 anos, regressada de Valência (Espanha) e internada no Hospital Curry Cabral, em Lisboa.
Outro caso é um bebé de oito meses, proveniente de palma de Maiorca e que está internado no Hospital Dona Estefânia.
O terceiro caso corresponde a uma mulher de 43 anos, vinda do Canadá e que está internada no Hospital de Angra do Heroísmo, nos Açores.
Este caso já tinha sido hoje anunciado pela Secretaria Regional de Saúde dos Açores.
"Portugal tem, neste momento, 23 casos confirmados laboratorialmente de infecção pelo vírus da Gripe A (H1N1), todos eles importados", refere a mesma nota do Ministério da Saúde.
O Ministério da Saúde refere que a "totalidade dos casos registados desde o início de Maio alerta para o reforço das medidas de prevenção já tomadas e que têm como objectivo a imediata localização e contenção dos casos".
Adianta ainda que, tendo em conta a situação mundial, a possibilidade de aparecimento, em Portugal, de mais casos positivos para o novo vírus da gripe é uma realidade para a qual o país está preparada.
"O Ministério da Saúde tomará as medidas previstas no Plano de Contingência que venham a revelar-se necessárias em cada momento e garante que as autoridades de saúde monitorizam permanentemente o evoluir da situação", sublinha o comunicado.
Tendo em conta o crescente número de casos suspeitos que diariamente são investigados, o Ministério da Saúde decidiu comunicar, a partir de agora, apenas aqueles cujos resultados se revelem positivos.

Fonte: DN (edição on-line de 2 de Julho)

terça-feira, 30 de junho de 2009

30 ano do SNS

''O ano corrente tem sido objecto das mais variadas manifestações (Congressos, Jornadas, Conferências, etc.) que procuram celebrar os 30 anos do Serviço Nacional de Saúde, uma das maiores realizações da mudança política ocorrida em Abril de 1974. (...) A cobertura das necessidades em saúde no nosso país, na década de 70, estava longe de satisfazer as necessidades da população, não era prioridade do governo, com responsabilidades na manutenção de uma guerra colonial e merecia um investimento de apenas 2,8% do PIB, em 1970. Os cuidados mais imediatos eram tratados nos postos médicos dos Serviços Médico-Sociais da Previdência e os cuidados agudos eram prestados por alguns, poucos, hospitais do Estado e principalmente por uma extensa rede de hospitais das Misericórdias. Foi a revolução de Abril e a Constituição de 1976 que mudaram definitivamente o panorama da saúde no nosso país. A nova Constituição determinou que “todos têm direito à protecção da saúde” e que seria levada a cabo “pela criação de um serviço nacional de saúde universal, geral e gratuito”As melhorias observadas ao nível dos indicadores de saúde nos referidos 30 anos foram espantosos. Há 30 anos, a mortalidade infantil era de 35 por mil, hoje é de 3,5 por mil. Há 30 anos, a esperança média de vida era de 65 anos, hoje é de 76 anos. No Relatório da OMS “Cuidados de Saúde Primários - Agora mais do que sempre”, divulgado no corrente ano, esta organização classificou Portugal como um dos cinco países do mundo que mais “notáveis progressos” fizeram na redução das taxas de mortalidade desde 1970.Mas estará o nosso país posicionado de forma tão positiva que não deva merecer anossa atenção? É claro que não. A mais recente divulgação, em Bruxelas, pela organização “Health Consumer Powerhouse” do posicionamento de Portugal no respectivo ranking refere a descida para o 26.º lugar quando ocupávamos o 16.º lugar em 2006 e o 19.º lugar em 2008. Diremos como epílogo que o SNS é o pilar do nosso sistema de saúde que deve ser protegido e potenciado com alterações que o fortifiquem mas não o desvirtuem em prol de uma prestação universal, geral e gratuita.''
Pedro Lopes, Presidente da APAH
Fonte: SaudeSA

sexta-feira, 26 de junho de 2009

''Michael Jackson morreu''

Sempre que a morte "chama" alguém, eu lembro-me daqueles que, para terem protagonismo, matam directa ou indirectamente, milhares de pessoas! Em simultânio, me ocorre também, de como seria o Mundo e a vida, se o RICO conseguisse vencer a morte, pela diferença do seu dinheiro. Por isso, CONGRATULO-ME não pela morte do rico, mas, pelo POBRE, no direito à sua existência, apesar da muita indiferença imposta pelos POLÍTICOS, e RICOS. De qualquer forma, sempre que morre um ser humano, ou não, eu lamento!

Comentário de ''Grapilho'' à notícia ''Michael Jackson morreu'' da edição do Público de 26/06/2009.

Michael Jackson (Agosto 29, 1958 – Junho25, 2009)