terça-feira, 27 de outubro de 2009

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Mão robótica sensível

Foi criada uma mão robótica que permite aos amputados sentir o que estão a agarrar, para um controlo mais preciso dos movimentos.


De acordo com o site Physorg, a mão robótica foi criada, desenvolvida no âmbito do projecto Smart Hand, foi criada por investigadores da Universidade de Lund na Suécia e da Scuola Superiore Sant'Anna, em Itália.Esta prótese avançada demorou dez anos a ser criara e inclui quatro motores e quarenta sensores desenhados para providenciar sensação à pessoa que a usa. É o primeiro dispositivo do género a enviar sinais para o cérebro, permitindo ao utilizador experimentar sensações nos dedos e na mão.
Apesar dos avanços, a Smart Hand ainda está longe de funcionar como uma mão normal, visto nesta que existem milhões de sensores nervosos.A BBC fez uma reportagem sobre o primeiro implantado com a Smart Hand.

sábado, 24 de outubro de 2009

Jorge Jesus não tem mão na equipa

Lamento muito, mas um adepto não deve apenas dizer bem. Sobretudo quando é fácil. Apesar do bom futebol, das vitórias, do imenso receio que o Benfica inspira aos adversários, da profunda satisfação que todos os benfiquistas sentem quando vêem a equipa jogar, nem tudo corre bem. Um treinador deve exercer um controlo perfeito sobre a equipa e Jorge Jesus, por muito que me custe admiti-lo, não consegue. São já várias as conferências de imprensa em que o treinador do Benfica lembra que a equipa não pode golear sempre. Os jogadores, num acto de indisciplina recorrente, e que mereceria castigo sério, continuam a desmenti-lo. Quando chegou ao Benfica, Jorge Jesus disse que os jogadores iriam jogar o dobro do que haviam jogado no ano passado. Neste momento, os jogadores jogam o quádruplo do que Jorge Jesus pensava que eles iam jogar. É muito feio faltar ao prometido.
As falsas expectativas que o treinador do Benfica lançou no início da época tiveram efeitos muito negativos até na minha vida pessoal. Quando soube que o Benfica jogaria o dobro do que havia jogado no ano passado fiquei contente, mas não demasiado. O Benfica não jogava assim tanto para que a perspectiva de passar a jogar apenas o dobro fosse especialmente apelativa. Por isso, cometi a imprudência de marcar compromissos profissionais para dias de jogo do Benfica. Não pude ver no estádio a goleada ao Everton e fui forçado a acompanhar a goleada ao Belenenses apenas na televisão. Tivesse Jorge Jesus sido rigoroso e eu teria metido licença sem vencimento até ao fim da época.Muito embora o Benfica seja, neste momento, uma máquina de triturar equipas e fazer golos, muita gente adverte ainda para os perigos que podem resultar do entusiasmo dos benfiquistas. Pelos vistos, o entusiasmo benfiquista é perigoso. Quando as outras equipas perdem, o adversário joga melhor. Quando o Benfica perde, a culpa é do entusiasmo dos sócios. Não se percebe a razão pela qual os outros treinam: segundo esta curiosa teoria, basta entusiasmarem-nos o terceiro anel para estarmos em apuros. O mais interessante é que o mesmo entusiasmo, tão contraproducente, também é apontado como um factor que nos beneficia. Sportinguistas e portistas queixam-se de que a onda de entusiasmo contagia os jornais e empurra o Benfica, o treinador do Braga lamenta que o Benfica seja levado ao colo pela euforia dos seus próprios adeptos. Em Portugal, ser levado ao colo pelo entusiasmo dos adeptos é crime, ser levado ao colo pela arbitragem é dirigismo brilhante. O treinador do Braga, por exemplo, nunca se queixou disso. Calha sempre estar a olhar para o chão.

Por Ricardo Araújo Pereira, Edição 24 de Outubro 2009 - Jornal "A Bola"

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Saramago é português, ponto final!

As convicções de José Saramago são bem conhecidas. Assim como a qualidade da sua escrita, reconhecida pelos leitores e pela Academia Sueca. Perante estes factos, pode-se, com toda a legitimidade, optar por quatro posições em relação ao Nobel: admirar tanto as suas ideias como a sua obra, admirar as ideias mas não a obra, detestar as ideias mas admirar a obra ou, ainda, detestar ambas.

O que não é legítimo é questionar o portuguesismo do escritor sempre que se discorda dele. E por muitos choques que Saramago tenha tido, ou venha a ter, com sectores da sociedade portuguesa, é português, ponto. Nasceu em Portugal, estudou numa escola portuguesa, escreve em português, casou-se uma primeira vez com uma portuguesa, tem uma filha portuguesa, trabalhou em jornais portugueses, foi candidato a cargos políticos portugueses. Nos últimos anos, como é sabido, tem vivido em Espanha e casou-se com uma espanhola, nada que ponha em causa a sua condição de português. Nem o próprio, apesar de iberista, alguma vez disse que resignava à cidadania portuguesa.

Como em 1992, com O Evangelho segundo Jesus Cristo, que o Governo português recusou candidatar a um prémio internacional, a polémica ressurge com Caim, que também aborda um tema religioso. Que o comunista Saramago reafirme o ateísmo aos 86 anos não surpreende, o que surpreende é a reacção indignada de figuras da Igreja Católica e a solidariedade instintiva de certos sectores políticos. Não só vivemos num país onde existe liberdade de expressão, como a separação entre Estado e Igreja está na Constituição. E isso é que é digno de todo o destaque.

Retirado do Editorial do Diário de Notícias (22 de Outubro de 2009)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A minha pátria já está no Mundial

Bom, não estará completamente, mas para lá caminha. Não quero parecer demasiado optimista. É certo que faltam ainda uns dois jogos decisivos mas, em princípio, em breve fica tudo resolvido e a minha nação estará na África do Sul: Luisão e Ramires já se apuraram, Aimar e Di María (e, quem sabe, Saviola) também, Óscar Cardozo está igualmente qualificado, Quim, César Peixoto e Nuno Gomes podem estar quase, assim como Maxi Pereira, e o seleccionador de Javi Garcia já disse que o tem debaixo de olho. Vai ser um Mundial em cheio, talvez como o de 1990, em que também estivemos presentes. Decorria a fase de grupos quando o meu primo me telefonou: «Estás a ver o jogo do Benfica?» Claro que estava. Boa parte das pessoas chamava-lhe Brasil-Suécia, mas era o jogo do Benfica: Ricardo Gomes, Mozer, Valdo, Schwarz, Thern e Magnusson como titulares, e Glenn Stromberg ainda entrou, para dar ao jogo um cheirinho a velhas glórias. Foi um belo desafio dos meus compatriotas. Espero que o próximo Mundial me traga mais desses.Talvez a maioria dos leitores não compreenda, mas sempre senti que o meu país é o Benfica. Sou português, claro, até porque o Benfica é português. Sou lisboeta, até porque o estádio da Luz fica em Lisboa. Mas a minha pátria é o Benfica. Sempre achei que pertencia mais ao país de Schwartz, Valdo e Filipovic do que ao de Fernando Couto, Jorge Costa e Sá Pinto. Os jogadores do Benfica são meus compatriotas; os da selecção nacional, nem sempre. Muito provavelmente, o leitor considerará que sou estranho, mas eu sinto-me muito mais compatriota de Ruben Amorim ou Fábio Coentrão do que de Liedson ou Pepe. É absurdo, eu sei, mas é assim.
Tenho estado a fazer uns tratamentos e aguardo resultados positivos em breve. Todos os dias, escrevo 10 vezes num caderno a frase «O Benfica não é obrigado a golear todos os jogos». E depois leio e finjo que acredito. Tudo isto serve para tentar moderar o entusiasmo, que é injustificado. O calendário tem sido favorável ao Benfica. Ainda não defrontou Porto, ou Sporting, o que já aconteceu com os outros. O Benfica limitou-se a dar três ao facílimo Paços de Ferreira (que empatou com o Porto) e dar quatro ao muito macio Belenenses (que empatou com o Sporting). Tudo jogos fáceis, claro. O avanço do Benfica não significa nada. Basta-me repetir esta frase um bom número de vezes e pode ser que passe a acreditar nisso. Os sportinguistas e portistas já conseguiram. Deve ser uma tarefa simples.

Por Ricardo Araújo Pereira - Edição 17 de Outubro 2009, Jornal "A Bola"