Há 13 anos
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Mundo passou o limiar dos mil milhões de esfomeados
Amanhã é Dia Mundial da Alimentação,
uma data que celebra um bem escasso
para um sexto da humanidade.
uma data que celebra um bem escasso
para um sexto da humanidade.
É mais um número, desta vez redondo: mil milhões de pessoas no planeta têm fome, mais nove por cento do que no ano passado. Visto em perspectiva, quase um sexto da população mundial. Resultado da crise? Sim, sem dúvida. Mas não só. É sobretudo resultado do fracasso das intenções mil vezes anunciadas, mas que falham por nunca alcançarem o terreno e resolverem o básico - erguer ou reerguer a agricultura em inúmeras partes do mundo.
A contabilidade era esperada. Segundo o relatório sobre a insegurança alimentar mundial, da Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO) e do Programa Alimentar Mundial (PAM), 1,02 mil milhões de pessoas têm fome em 2009. A curva tem sido ascendente nos últimos dez anos, depois de ter decrescido na década de 80 e princípio da de 90. Já se ultrapassou, em termos absolutos, os números da fome de 1970, quando as campainhas soaram e se deu a chamada "revolução verde" que pôs a agricultura no centro das soluções.
Mas, a partir de meados da década de 90, o investimento na agricultura começa a declinar. Em 1970, 20 por cento da ajuda ao desenvolvimento ia para este sector. Nos últimos anos, desceu abaixo dos cinco por cento.
"Não se resolve o problema da fome do mundo sem estruturas agrícolas", não tem dúvidas Manuel Correia, presidente do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento. E, em muitos países, estas estão destruídas, são inexistentes ou estão desfasadas das necessidades.
Mas como voltar a pôr a tónica na agricultura? Muitos acreditam que o problema só se resolve a nível doméstico. Dizem-no com base nas estatísticas do comércio internacional, já que apenas 20 por cento do que é produzido nos diferentes países é vendido ao exterior, 80 por cento é autoconsumo. A solução para o problema não repousa, assim, no comércio livre, embora este possa representar o seu papel, defendem.
Pelo contrário. Num cenário de crise económica como a actual, a dependência das importações ainda condena mais os pobres à míngua, salienta a FAO. Sobretudo porque muitos dos que passam fome estão nas cidades e esses dependem mais do mercado mundial do que do doméstico.
Regresso à agricultura
Depois da chamada "crise alimentar", que levou à alta dos preços das matérias-primas em 2007, o mundo percebeu que a ajuda ao desenvolvimento tem de voltar a passar pela agricultura. Salientaram-se as mais-valias da investigação e tecnologia, a urgência de infra-estruturas nos países mais pobres - desde as agrícolas às vias de comunicação para facilitar o escoamento dos produtos -, a necessidade premente de apoios, sobretudo aos pequenos produtores. Foram prometidos mas tardam em chegar, lembra também a FAO.
Mas quem está no terreno olha para estas intenções com cautela. "Neste debate tem de se envolver os pobres, os agricultores, aqueles para quem os projectos se destinam", salienta Manuel Correia. Porque cada país é um país, cada aldeia é uma aldeia. Têm culturas próprias, hábitos enraizados e de pouco adianta tentar impor um modelo agrícola, se as populações nem sequer o compreenderem.
Há outro dado importante: o aumento demográfico. Embora este tenha desacelerado, o certo é que continua e em 2050 estarão 9,1 mil milhões de pessoas sobre a Terra quando actualmente estão 6,8.
Na busca de soluções para aumentar a produtividade das terras e alimentar uma população crescente, há que ter em conta outros factores incontornáveis: a necessidade de terras e água - que escasseiam - e o combate às alterações climáticas, que não admite soluções que aumentem a produção de gases com efeito de estufa (como alguns químicos agrícolas, a desflorestação para libertar terras ou a pecuária intensiva).
Se esta equação já não era fácil, a crise veio piorar ainda mais a situação, pondo mais a nu a fragilidade dos sistemas de segurança alimentar do planeta. Mesmo os casos de sucesso - América Latina e Caraíbas -, que tinham conseguido estancar o crescimento do número de pessoas com fome, acabaram por ser afectados.
Até porque esta é uma crise diferente, salienta a FAO. Atinge várias partes do mundo simultaneamente, reduzindo a capacidade de resposta. Surge a coroar a crise alimentar, que tinha atingido com violência os mais frágeis, deixando-os sem defesas para novos embates. E, num mundo cada vez mais globalizado, os países em desenvolvimento ficaram mais vulneráveis às alterações dos mercados.
Nesta turbulência sucumbem milhões, cada vez mais enredados numa espiral de pobreza. A passagem da barreira dos mil milhões é apenas mais um marco numérico que talvez sirva para abanar as consciências políticas, esperam as agências das Nações Unidas, que todos os dias lembram que as promessas estão por cumprir e que o apoio ao desenvolvimento é cada vez mais escasso.
A contabilidade era esperada. Segundo o relatório sobre a insegurança alimentar mundial, da Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO) e do Programa Alimentar Mundial (PAM), 1,02 mil milhões de pessoas têm fome em 2009. A curva tem sido ascendente nos últimos dez anos, depois de ter decrescido na década de 80 e princípio da de 90. Já se ultrapassou, em termos absolutos, os números da fome de 1970, quando as campainhas soaram e se deu a chamada "revolução verde" que pôs a agricultura no centro das soluções.
Mas, a partir de meados da década de 90, o investimento na agricultura começa a declinar. Em 1970, 20 por cento da ajuda ao desenvolvimento ia para este sector. Nos últimos anos, desceu abaixo dos cinco por cento.
"Não se resolve o problema da fome do mundo sem estruturas agrícolas", não tem dúvidas Manuel Correia, presidente do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento. E, em muitos países, estas estão destruídas, são inexistentes ou estão desfasadas das necessidades.
Mas como voltar a pôr a tónica na agricultura? Muitos acreditam que o problema só se resolve a nível doméstico. Dizem-no com base nas estatísticas do comércio internacional, já que apenas 20 por cento do que é produzido nos diferentes países é vendido ao exterior, 80 por cento é autoconsumo. A solução para o problema não repousa, assim, no comércio livre, embora este possa representar o seu papel, defendem.
Pelo contrário. Num cenário de crise económica como a actual, a dependência das importações ainda condena mais os pobres à míngua, salienta a FAO. Sobretudo porque muitos dos que passam fome estão nas cidades e esses dependem mais do mercado mundial do que do doméstico.
Regresso à agricultura
Depois da chamada "crise alimentar", que levou à alta dos preços das matérias-primas em 2007, o mundo percebeu que a ajuda ao desenvolvimento tem de voltar a passar pela agricultura. Salientaram-se as mais-valias da investigação e tecnologia, a urgência de infra-estruturas nos países mais pobres - desde as agrícolas às vias de comunicação para facilitar o escoamento dos produtos -, a necessidade premente de apoios, sobretudo aos pequenos produtores. Foram prometidos mas tardam em chegar, lembra também a FAO.
Mas quem está no terreno olha para estas intenções com cautela. "Neste debate tem de se envolver os pobres, os agricultores, aqueles para quem os projectos se destinam", salienta Manuel Correia. Porque cada país é um país, cada aldeia é uma aldeia. Têm culturas próprias, hábitos enraizados e de pouco adianta tentar impor um modelo agrícola, se as populações nem sequer o compreenderem.
Há outro dado importante: o aumento demográfico. Embora este tenha desacelerado, o certo é que continua e em 2050 estarão 9,1 mil milhões de pessoas sobre a Terra quando actualmente estão 6,8.
Na busca de soluções para aumentar a produtividade das terras e alimentar uma população crescente, há que ter em conta outros factores incontornáveis: a necessidade de terras e água - que escasseiam - e o combate às alterações climáticas, que não admite soluções que aumentem a produção de gases com efeito de estufa (como alguns químicos agrícolas, a desflorestação para libertar terras ou a pecuária intensiva).
Se esta equação já não era fácil, a crise veio piorar ainda mais a situação, pondo mais a nu a fragilidade dos sistemas de segurança alimentar do planeta. Mesmo os casos de sucesso - América Latina e Caraíbas -, que tinham conseguido estancar o crescimento do número de pessoas com fome, acabaram por ser afectados.
Até porque esta é uma crise diferente, salienta a FAO. Atinge várias partes do mundo simultaneamente, reduzindo a capacidade de resposta. Surge a coroar a crise alimentar, que tinha atingido com violência os mais frágeis, deixando-os sem defesas para novos embates. E, num mundo cada vez mais globalizado, os países em desenvolvimento ficaram mais vulneráveis às alterações dos mercados.
Nesta turbulência sucumbem milhões, cada vez mais enredados numa espiral de pobreza. A passagem da barreira dos mil milhões é apenas mais um marco numérico que talvez sirva para abanar as consciências políticas, esperam as agências das Nações Unidas, que todos os dias lembram que as promessas estão por cumprir e que o apoio ao desenvolvimento é cada vez mais escasso.
Por Ana Fernandes
Edição de 15 de Outubro de 2009 do jornal Público.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
35 razões para deixar de fumar
1. Vai ter menos rugas, fumar envelhece a pele.
2. Após o primeiro ano sem fumar, terá poupado o suficiente para umas férias de sonho.
3. O seu hálito será muito melhor.
4. Deixa de ressonar.
5. Vai viver o suficiente para brincar com os seus netos.
6. Não vai ter que se preocupar com a impotência.
7. Não tem de sair do restaurante a meio da festa para ir fumar.
8. Vai poupar dinheiro na limpeza a seco.
9. Vai ter mais energia.
10. Vai viver mais tempo.
11. A sua casa e carro vão ter um melhor ambiente e cheirar melhor.
12. Nunca mais terá de pensar em como o tabagismo dá cabo da sua saúde.
13. Em média um pessoa tenta parar de fumar, pelo menos, quatro vezes antes de ser bem sucedido, não desista.
14. Não vai ter que esconder que fuma de ninguém.
15. Só vai ter de parar nas bombas de gasolina para encher o depósito.
16. Vai ficar em melhor forma.
17. Com o tempo, vai ter a mesma esperança de vida de um não tabagista.
18. O(A) seu(sua) companheiro(a) terá menos probabilidades de desenvolver uma doença cardíaca ou cancro do pulmão.
19. Vai tossir menos.
20. Vai apreciar melhor o sabor e cheiro dos alimentos.
21. Os seu filhos serão mais saudáveis.
22. O batom não vai esborratar por causa do cigarro.
23. Não precisa de se preocupar se as pessoas que estão consigo se incomodam com o fumo do tabaco.
24. Vai ter dentes mais brancos.
25. Não precisa de procurar a zona de fumadores em todos os sitios onde vai.
26. Ninguém mais o vai chatear para parar de fumar.
27. Nem ter de ouvir que beijar um fumador é como lamber um cinzeiro.
28. Existem medicamentos para ajudar a parar de fumar que também evitam o ganho de peso.
29. As sua plantas não vão ficar murchas.
30. A sua roupa vai deixar de tresandar a tabaco.
31. Os seus dedos vão deixar de ser manchados.
32. Menos uma coisa para ter de levar de um lado para o outro.
33. Os seus pulmões vão agradecer.
34. Vai se livrar de uma coisa que controla a sua vida.
35. Vai ser um bom modelo para os seus filhos.
2. Após o primeiro ano sem fumar, terá poupado o suficiente para umas férias de sonho.
3. O seu hálito será muito melhor.
4. Deixa de ressonar.
5. Vai viver o suficiente para brincar com os seus netos.
6. Não vai ter que se preocupar com a impotência.
7. Não tem de sair do restaurante a meio da festa para ir fumar.
8. Vai poupar dinheiro na limpeza a seco.
9. Vai ter mais energia.
10. Vai viver mais tempo.
11. A sua casa e carro vão ter um melhor ambiente e cheirar melhor.
12. Nunca mais terá de pensar em como o tabagismo dá cabo da sua saúde.
13. Em média um pessoa tenta parar de fumar, pelo menos, quatro vezes antes de ser bem sucedido, não desista.
14. Não vai ter que esconder que fuma de ninguém.
15. Só vai ter de parar nas bombas de gasolina para encher o depósito.
16. Vai ficar em melhor forma.
17. Com o tempo, vai ter a mesma esperança de vida de um não tabagista.
18. O(A) seu(sua) companheiro(a) terá menos probabilidades de desenvolver uma doença cardíaca ou cancro do pulmão.
19. Vai tossir menos.
20. Vai apreciar melhor o sabor e cheiro dos alimentos.
21. Os seu filhos serão mais saudáveis.
22. O batom não vai esborratar por causa do cigarro.
23. Não precisa de se preocupar se as pessoas que estão consigo se incomodam com o fumo do tabaco.
24. Vai ter dentes mais brancos.
25. Não precisa de procurar a zona de fumadores em todos os sitios onde vai.
26. Ninguém mais o vai chatear para parar de fumar.
27. Nem ter de ouvir que beijar um fumador é como lamber um cinzeiro.
28. Existem medicamentos para ajudar a parar de fumar que também evitam o ganho de peso.
29. As sua plantas não vão ficar murchas.
30. A sua roupa vai deixar de tresandar a tabaco.
31. Os seus dedos vão deixar de ser manchados.
32. Menos uma coisa para ter de levar de um lado para o outro.
33. Os seus pulmões vão agradecer.
34. Vai se livrar de uma coisa que controla a sua vida.
35. Vai ser um bom modelo para os seus filhos.
Opinião | O martelo e a linha de cozer
As muitas decisões que agora cabem aos tribunais relativamente aos menores, contrastam com as raras vezes em que, no passado século, eram os pais os pilares da educação e os principais actores nos papéis decisórios. A vida de muitas crianças passa agora por ser controlada pelos tribunais, juízes mais ou menos capazes, mais ou menos imparciais. Estas crianças assistem aos seus progenitores serem passados para trás, sendo um juiz a fazer o papel de mediador, passando a ser ele aquele que ensina, que formula, que decide. É de notar que muitas vezes são os próprios pais, achando-se incapazes que põem essas decisões nas mãos dos juízes.
Estas são apenas as consequências de uma sociedade alterada, não necessariamente pior do que a anterior, mas sim diferente. Os nossos precedentes eram, tal como nós, a base de uma sociedade como a actual, má e boa, permissiva e autoritária, rancorosa, afectiva, simples e complicada. Enfim, somos iguais, talvez não nas mesmas fatias, mas somos uma cópia do mau e do bom.
O facto é que a velocidade trouxe por arrasto o conhecimento e com ele tomou realce todas as coisas boas do ser humano, mas ao mesmo tempo que realçava o bom, esse, contrastava cada vez mais com o lado negro dessas que são as peças fundamentais da sociedade: as pessoas. Ou seja, salta à vista de todos, mesmo que cegos, que ser mãe e ser pai não é necessariamente ser Mãe e ser Pai. Daí que seja absolutamente necessário... legislar.
Parece-me a mim, contra natura (apesar de concordar que se faça), que tenhamos, como sociedade, de legislar como deve um/a pai/mãe interiorizar um sentimento, como o deve sentir, como se se pudesse ensinar a alguém como respirar... ‘’inspiras assim, e depois expiras assim, continuamente, e para o resto da tua vida’’.
Em termos práticos sabemos que são tomadas muitas decisões acertadas em tribunal, e isto porque o legislador pensou em primeiro lugar na criança. É tomada, sempre, em muita consideração o superior interesse desse ser.
O problema é que também aqui a justiça falha. Se falhamos uma vez que seja, em mil, a sociedade ressente-se, temos uma lacuna! A culpa passa a não ter dono, porque é ofuscada pela sociedade “maquinizada”. Vale a pena acrescentar que a sociedade pagará por isto mais tarde, porque essa criança irá apresentar factura.
Eu sei que a sociedade não é perfeita, e a imperfeição acaba por tocar, mais ou menos, de leve ou em soco em cada peça que a compõe. Ao de leve, sustem-se a respiração um pouco e passa. Mas quando a imperfeita sociedade dá um soco na frágil estrutura de uma criança, essa marca perdurará até ao ínfimo pormenor do seu ser. Sendo um ciclo altamente vicioso, ela terá também influenciado a imperfeita e renovada sociedade que virá.
Mas deixando de lado a apreciação demagoga, passemos ao estado bruto e delicado do assunto.
O/A Pai/Mãe é a quem primeiro é dada a escolha natural de educar, assegurar, cuidar dos seus filhos. Falámos antes, de que nem sempre esse parente opta, pelos mais variados motivos, por ser o que a Natureza lhe diz para ser.
Tal como a natureza do ser humano, sem que se lhe ensine nada, nasce e respira, uma mãe e um pai, são, na maior parte das vezes, sem precisar de mandamentos ou instrução, Pais e Mães.
Somos muitos os tipos de pais/mães, dependentes, assustados, organizados, carinhosos, orgulhosos, imperfeitos, mas pais e mães. A dependência nasce e cresce em cada um de uma forma assustadora, faz tremer e temer. Vem a pouco e pouco e quando percebemos já somos dependentes de um sentimento, já não há nada à nossa volta que supere a ambição de educar a criança. Sabemos que não temos as indicações de como fazer esse papel nas perfeitas condições, temos sempre falhas, que mais ou menos vão influenciando uma criança. Mas também temos toda a certeza de que se não pusermos tudo de nós, com o bom e com mau à mistura, não estamos a dar o que um Filho merece.
Até aqui nenhum juiz é chamado a intervir. Não é preciso. Não há quem melhor pudesse cuidar dessa criança.
Ele aparece como sentenciador no momento em que algum ou ambos os pais não estão, por motivos psicológicos, químicos, genéticos ou naturais, preparados para assegurar o bem-estar físico e emocional da criança.
Cabe a toda a sociedade identificar quem são esses pais, que com ou sem culpa, não conseguem zelar pelos filhos.
Numa qualquer tese de doutoramento, que abranja, mesmo que parcialmente este assunto, incluirá a distinção dos vários tipos de pais/mães, detalhando as consequências de actos e omissões, tipos, tipologias, nomes comuns, substantivos, alcunhas, pseudónimos e nomenclaturas complicadas.
Mas a realidade funde-se com a fantasia em muitos casos. É de lamentar que os pais sejam imperfeitos? Não. É de lamentar que os pais finjam a perfeição? Sim.
É de lamentar que um/a pai/mãe tenha como secundário um filho, ou, mesmo que tendo-o com principal, seja como arma de arremesso para quem julgue necessitar atingir? Sim, e muito.
Assim, vou-vos falar, especificamente, de um certo tipo de pai: o pai-agulha. O pai-agulha, tal como a agulha, pode ser definida de diversas perspectivas. Pegando na perspectiva mais óbvia, a agulha é um objecto metálico que serve para coser. É pontiaguda e afiada.
Ora, o pai-agulha também ele é afiado, e até pode em determinados e raros momentos ser o que lhe compete, mas nunca deixa de ser afiado. Rebenta muitos balões, faz muito barulho, afia-se aos outros, e sempre que pode fere.
Este pai, reclama o filho não porque o queira ou porque por ele tenha cuidado, mas porque encontra nesse protesto uma forma de prolongar um litígio, que vai muito além, da separação com o outro progenitor.
Como nos devemos colocar diante de um progenitor que, embora se assuma como pai de diversas crianças, tome acordo para uma delas, recusando o contacto ou negligenciando, continuamente uma outra?
Como nos devemos colocar perante um pai que não tem qualquer percepção da sua função, que não interiorizou, nem tem no seu consciente qualquer dívida para com o filho? Entendendo-se ele como um ser superior, interioriza que tem “algo” que lhe pertence, passando por cima de todos, incluindo a criança (que vê como moeda), abrindo caminho para uma virtual justiça sobre o seu virtual direito de posse.
O pai-agulha quer ferir o outro progenitor e usa o Filho como linha de coser.
Desconhece a expressão e sentido da parentalidade relacional. Baseia-se nos termos e significados de vingança, poder, necessidade, termos que lhe alimentam o ego, sem o qual já não consegue viver.
Aproxime-se o juiz e decida que os filhos de um pai-agulha, são, sem perceberem, esmagados por uma fantasia. Sr. Juiz! Afaste estes pais, estes, que retiram aos verdadeiros progenitores a noção de espaço e tempo, que os torturam, torturando consequentemente, as próprias crianças.
Não cosam com a agulha que vos quer ferir.
Bate o Martelo do Juiz... para fazer de Pai.
Anónimo 7 de Setembro de 2008
Estas são apenas as consequências de uma sociedade alterada, não necessariamente pior do que a anterior, mas sim diferente. Os nossos precedentes eram, tal como nós, a base de uma sociedade como a actual, má e boa, permissiva e autoritária, rancorosa, afectiva, simples e complicada. Enfim, somos iguais, talvez não nas mesmas fatias, mas somos uma cópia do mau e do bom.
O facto é que a velocidade trouxe por arrasto o conhecimento e com ele tomou realce todas as coisas boas do ser humano, mas ao mesmo tempo que realçava o bom, esse, contrastava cada vez mais com o lado negro dessas que são as peças fundamentais da sociedade: as pessoas. Ou seja, salta à vista de todos, mesmo que cegos, que ser mãe e ser pai não é necessariamente ser Mãe e ser Pai. Daí que seja absolutamente necessário... legislar.
Parece-me a mim, contra natura (apesar de concordar que se faça), que tenhamos, como sociedade, de legislar como deve um/a pai/mãe interiorizar um sentimento, como o deve sentir, como se se pudesse ensinar a alguém como respirar... ‘’inspiras assim, e depois expiras assim, continuamente, e para o resto da tua vida’’.
Em termos práticos sabemos que são tomadas muitas decisões acertadas em tribunal, e isto porque o legislador pensou em primeiro lugar na criança. É tomada, sempre, em muita consideração o superior interesse desse ser.
O problema é que também aqui a justiça falha. Se falhamos uma vez que seja, em mil, a sociedade ressente-se, temos uma lacuna! A culpa passa a não ter dono, porque é ofuscada pela sociedade “maquinizada”. Vale a pena acrescentar que a sociedade pagará por isto mais tarde, porque essa criança irá apresentar factura.
Eu sei que a sociedade não é perfeita, e a imperfeição acaba por tocar, mais ou menos, de leve ou em soco em cada peça que a compõe. Ao de leve, sustem-se a respiração um pouco e passa. Mas quando a imperfeita sociedade dá um soco na frágil estrutura de uma criança, essa marca perdurará até ao ínfimo pormenor do seu ser. Sendo um ciclo altamente vicioso, ela terá também influenciado a imperfeita e renovada sociedade que virá.
Mas deixando de lado a apreciação demagoga, passemos ao estado bruto e delicado do assunto.
O/A Pai/Mãe é a quem primeiro é dada a escolha natural de educar, assegurar, cuidar dos seus filhos. Falámos antes, de que nem sempre esse parente opta, pelos mais variados motivos, por ser o que a Natureza lhe diz para ser.
Tal como a natureza do ser humano, sem que se lhe ensine nada, nasce e respira, uma mãe e um pai, são, na maior parte das vezes, sem precisar de mandamentos ou instrução, Pais e Mães.
Somos muitos os tipos de pais/mães, dependentes, assustados, organizados, carinhosos, orgulhosos, imperfeitos, mas pais e mães. A dependência nasce e cresce em cada um de uma forma assustadora, faz tremer e temer. Vem a pouco e pouco e quando percebemos já somos dependentes de um sentimento, já não há nada à nossa volta que supere a ambição de educar a criança. Sabemos que não temos as indicações de como fazer esse papel nas perfeitas condições, temos sempre falhas, que mais ou menos vão influenciando uma criança. Mas também temos toda a certeza de que se não pusermos tudo de nós, com o bom e com mau à mistura, não estamos a dar o que um Filho merece.
Até aqui nenhum juiz é chamado a intervir. Não é preciso. Não há quem melhor pudesse cuidar dessa criança.
Ele aparece como sentenciador no momento em que algum ou ambos os pais não estão, por motivos psicológicos, químicos, genéticos ou naturais, preparados para assegurar o bem-estar físico e emocional da criança.
Cabe a toda a sociedade identificar quem são esses pais, que com ou sem culpa, não conseguem zelar pelos filhos.
Numa qualquer tese de doutoramento, que abranja, mesmo que parcialmente este assunto, incluirá a distinção dos vários tipos de pais/mães, detalhando as consequências de actos e omissões, tipos, tipologias, nomes comuns, substantivos, alcunhas, pseudónimos e nomenclaturas complicadas.
Mas a realidade funde-se com a fantasia em muitos casos. É de lamentar que os pais sejam imperfeitos? Não. É de lamentar que os pais finjam a perfeição? Sim.
É de lamentar que um/a pai/mãe tenha como secundário um filho, ou, mesmo que tendo-o com principal, seja como arma de arremesso para quem julgue necessitar atingir? Sim, e muito.
Assim, vou-vos falar, especificamente, de um certo tipo de pai: o pai-agulha. O pai-agulha, tal como a agulha, pode ser definida de diversas perspectivas. Pegando na perspectiva mais óbvia, a agulha é um objecto metálico que serve para coser. É pontiaguda e afiada.
Ora, o pai-agulha também ele é afiado, e até pode em determinados e raros momentos ser o que lhe compete, mas nunca deixa de ser afiado. Rebenta muitos balões, faz muito barulho, afia-se aos outros, e sempre que pode fere.
Este pai, reclama o filho não porque o queira ou porque por ele tenha cuidado, mas porque encontra nesse protesto uma forma de prolongar um litígio, que vai muito além, da separação com o outro progenitor.
Como nos devemos colocar diante de um progenitor que, embora se assuma como pai de diversas crianças, tome acordo para uma delas, recusando o contacto ou negligenciando, continuamente uma outra?
Como nos devemos colocar perante um pai que não tem qualquer percepção da sua função, que não interiorizou, nem tem no seu consciente qualquer dívida para com o filho? Entendendo-se ele como um ser superior, interioriza que tem “algo” que lhe pertence, passando por cima de todos, incluindo a criança (que vê como moeda), abrindo caminho para uma virtual justiça sobre o seu virtual direito de posse.
O pai-agulha quer ferir o outro progenitor e usa o Filho como linha de coser.
Desconhece a expressão e sentido da parentalidade relacional. Baseia-se nos termos e significados de vingança, poder, necessidade, termos que lhe alimentam o ego, sem o qual já não consegue viver.
Aproxime-se o juiz e decida que os filhos de um pai-agulha, são, sem perceberem, esmagados por uma fantasia. Sr. Juiz! Afaste estes pais, estes, que retiram aos verdadeiros progenitores a noção de espaço e tempo, que os torturam, torturando consequentemente, as próprias crianças.
Não cosam com a agulha que vos quer ferir.
Bate o Martelo do Juiz... para fazer de Pai.
Anónimo 7 de Setembro de 2008
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artigo de opinião,
Crianças,
Justiça
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
E-Livros
Parece-me interessante este e-livro sobre cidadania: ''A Cidadania de A a Z''.
Este sítio na internet é essencialmente dirigido a crianças, mas não faz mal se os adultos espreitarem. Para quem tem filhotes, vale a pena deixá-los folhear.
http://e-livros.clube-de-leituras.pt/elivro.php?id=cidadaniadeaaz
Este sítio na internet é essencialmente dirigido a crianças, mas não faz mal se os adultos espreitarem. Para quem tem filhotes, vale a pena deixá-los folhear.
http://e-livros.clube-de-leituras.pt/elivro.php?id=cidadaniadeaaz
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